FONTE: Jornal NH

Trabalho de capacitação e consultoria gratuito vai ser oferecido a 90 produtores que se inscreveram voluntariamente para participar de projeto que vai durar dois anos

Cada vez mais sustentabilidade e tecnologia são conceitos que fazem parte do dia a dia do homem do campo. Para ajudar na preservação do Rio Caí e ofertar aos produtores novas técnicas de irrigação, será colocado em prática nesta ano o o projeto Sustentabilidade do Agronegócio na Bacia do Rio Caí.

Conforme o gestor de projetos de agronegócios do Sebrae de agronegócio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Júnior Utzig, a ideia de ofertar a consultoria individualizada aos produtores que atuam na área da Rio Caí surgiu entre 2017 e 2018. Mas somente neste ano ocorreu a aprovação de recursos.

A bacia hidrográfica do Rio Caí está entre as dez mais poluídas do Brasil. A partir de estudos e análises feitos da água, foi constatado um risco potencial para o futuro no uso para a irrigação das culturas.

Por isso, o objetivo do projeto é ofertar um trabalho de capacitação para os agricultores, por meio de consultoria individual e gratuita. Ao todo, serão beneficiados 90 produtores que se inscreveram voluntariamente para participar do projeto. O acompanhamento começa em abril e terá duração de dois anos.

Mapeamento

Segundo Utzig, em um primeiro momento, todas as propriedades serão visitadas e, com o auxílio de um drone, serão mapeadas todas as áreas. Isso inclui as benfeitorias, lavouras, cursos de água e açudes. Depois deste levantamento, com o apoio da Emater, será dado início a um trabalho de preservação dos recursos hídricos a partir do uso de novas tecnologias. “Vamos avaliar as fontes de captação e ter um caderno de campo para rastrear a produtividade”, explica Utzig.

A adesão à iniciativa se concentra em pequenos produtores dos municípios de Vale Real, Feliz, Bom Princípio, São José do Hortêncio e Linha Nova. Também deve ser formado um núcleo de trabalho junto aos agricultores de Santa Maria do Herval, Morro Reuter e Dois irmãos.

Experiência

A proposta integra o Programa Juntos para Competir, formado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sabrae), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e a Federação da Agricultura do Estado (Farsul). A iniciativa também conta com o apoio da Câmara da Olericultura do Vale do Caí, Emater, Federação do Trabalhadores na Agricultura (Fetag) e Sicredi. O produtor não terá custo com a consultoria, apenas se quiser investir na propriedade e aplicar as tecnologias que forem sugeridas com o propósito de melhorar a produtividade e conservar o meio ambiente.

Além disso, ao longo dos dois anos, serão realizados dias de campo e encontros de troca de experiências. Um dos propósitos é reduzir o uso de defensivos sintéticos, diminuindo as chances de contaminação do solo e do rio.

Seidel quer melhorar a propriedade

O produtor Mathias Seidel, 34 anos, da localidade de Bela Vista, em Bom Princípio, já garantiu a sua inscrição no projeto. Na propriedade de quatro hectares, que inclusive fica abaixo d’água em época de cheia do Rio Caí, ele cultiva hortaliças, beterrabana, quiabo e limão taiti.

Seidel é certificado como produtor orgânico e já tem no seu negócio, a Biogarden, a preocupação em garantir um equilíbrio entre a agricultura e a natureza.

De acordo com ele, o interesse de participar da iniciativa existe porque a família pretende ampliar o volume de irrigação.

Hoje eles contam com um açude, mas que não dá conta de irrigar toda a área, em especial, os citros, principalmente em época de estiagem. Em breve, Seidel terá um pomar de limão siciliano produzindo também. “Queremos aprender sobre iniciativa. futuras de irrigação”, diz.

Faz sete anos que Seidel se dedica à propriedade e para ampliar seus conhecimentos cursa técnico agrícola.

O plano para o futuro é estudar agroecologia e poder prestar assessoria a outros produtores, além de aplicar o que aprendeu na propriedade.

Os produtores que quiserem mais informações sobre o projeto podem telefonar ou enviar um Whatsapp para (51) 9845-7199.

A iniciativa também poder quer disseminar entre os produtores boas práticas de manejo.