FONTE: Tribuna de Petrópolis

Já está disponível para consulta e download gratuito a segunda parte da publicação “Introdução ao Uso das Plantas Medicinais em Petrópolis”, uma iniciativa do Fórum Itaboraí: Política, Ciência e Cultura na Saúde, unidade da Fiocruz em Petrópolis. A publicação, que integra a coleção “Cadernos do Itaboraí”, reúne fotos, nomes científicos e populares, curiosidades e informações sobre o uso mais frequente de 23 novas espécies de plantas medicinais comumente encontradas em Petrópolis. O Caderno inclui também orientações para cultivos domésticos e comunitários dessas plantas, utilizadas habitualmente como remédios caseiros. A publicação está disponível no site do Fórum Itaboraí.

O uso das plantas medicinais no tratamento de diversas moléstias é uma prática milenar em diferentes culturas. Desde a década de 1970, a Organização Mundial da Saúde/OMS reconhece e indica esse método como recurso terapêutico de baixo custo e fácil acesso. No Brasil, com sua vasta biodiversidade, a utilização de plantas medicinais é tradicional e cotidiana e congrega saberes e técnicas diversas, oriundas principalmente das culturas indígena, europeia e africana.

Esse uso, na avaliação de Sérgio Monteiro, biólogo e coordenador do Programa de Biodiversidade e Saúde do Fórum Itaboraí, acontece de maneira bastante empírica (baseada na experiência) e na maior parte das vezes desvinculada dos serviços de saúde. “Ao nos debruçarmos para produzir uma publicação como esta, nosso propósito é congregar o resgate do conhecimento tradicional com referências técnico-científicas sobre as plantas medicinais e contribuir para que informações seguras sobre cuidado e promoção da saúde cheguem ao maior número de pessoas”, explica Monteiro.

Outra razão, de acordo com Lilia Gomes, farmacêutica do Fórum Itaboraí, é resgatar um sentimento de cuidado pelo outro e pelas plantas em si. Por isso, segundo ela, esse novo caderno traz uma parte dedicada ao cultivo em pequenos espaços e também em áreas coletivas. “O guia traz dicas e informações sobre cuidados simples de cultivo, como o preparo do solo, o controle natural de pragas, compostagem doméstica, entre outras, exatamente para incentivar e apoiar o desenvolvimento de cultivos em área urbana, seja na forma de hortas em vasos e pequenos quintais ou na formação de grupos comunitários que levem essa ideia para áreas comuns, como praças, terrenos baldios ou espaços livres em condomínios. E para além do cultivo, esperamos que esse ato simples venha desabrochar também um sentimento de pertencimento ao território e compartilhamento de saberes e práticas”, explica Lilia.

As 43 espécies de plantas medicinais apresentadas na publicação “Introdução ao Uso das Plantas Medicinais em Petrópolis”, tanto no primeiro quanto no segundo volume, foram selecionadas levando-se em conta tanto a recorrência delas no território petropolitano, ou seja, se são frequentemente encontradas, quanto a facilidade de cultivo e as enfermidades mais comuns da população do município. “O guaco e o assa-peixe, no Caderno I, e a pitanga, no Caderno II, por exemplo, são plantas indicadas para o tratamento de doenças respiratórias, que são muito comuns em Petrópolis. Essa é uma das razões de integrarem o acervo da publicação”, aponta o biólogo.

Além de retratadas e detalhadas nos “Cadernos do Itaboraí”, estas plantas fazem parte de um acervo da Fiocruz e podem ser encontradas na Trilha do Arboreto, uma coleção viva de espécies vegetais que o Fórum Itaboraí criou e mantém, há oito anos, em sua sede no bairro Valparaíso, em Petrópolis. São mais de 450 espécies, dispostas ao longo de uma trilha de 800 metros, com objetivo de fazer a conservação e preservação das espécies, além de estudos científicos e práticas educativas. Na Trilha do Arboreto, cada espécie está identificada por meio de placas informativas, onde constam: nomenclatura botânica oficial, nome popular, família, centro de diversidade, uso popular e o status de cada planta, isto é, se ela é medicinal, tóxica, aromática, nutritiva, espiritual e/ou ornamental. Neste acervo vivo, aberto ao público, o visitante pode também ver a planta como é encontrada na natureza, observar seus padrões e peculiaridades e, em alguns casos, até sentir o seu aroma. As visitas são guiadas e mediante agendamento. Durante a pandemia da Covid-19, as visitas estão suspensas.